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23
Abr 06

Muitos foram os nomes e acontecimentos ligados à contestação ao Estado Novo,  tais como:

  Henrique Galvão, que desviou o Paquete Santa Maria em 1961 para o Brasil, onde chegou a ponderar o seu afundamento, tendo também participado no desvio de um avião da TAP em Casa Blanca, para a distribuição de panfletos ao sul de Portugal.

Em 1961 inicio da Guerra Colonial no Norte de Angola, após os incidentes de Luanda, estendendo-se anos mais tarde às restantes colónias Portuguesas Cabo Verde, Guiné, Moçambique...

A ocupação de Goa, Damão e Diu pela União Indiana

Capitão Varela Gomes, que desferiu o assalto ao quartel de Beja corria o ano de 1962

Em 1962, ocorreu a proibição, pelo Governo, das celebrações do Dia do Estudante, abrindo-se a crise académica, em que a Universidade de Lisboa entra em greve, agravando-se também a crise académica, com as lutas estudantis na universidade de Coimbra.

Evade-se de Lisboa, Agostinho Neto onde tinha residência fixa.

Em 1963, Salazar faz uma alocução dramática a respeito de Africa através da Rádio e da Televisão, que demonstrava a perda de controlo em relação aos movimentos anti guerra em que pronuncia a seguinte frase”Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem”.

No ano de 1966, a Assembleia Geral da ONU, reconhece que falharam todas as medidas decretadas pelo Conselho de Segurança e entende que Portugal, intensificou mesmo a sua repressão em África.

Mais de 100 mil Portugueses procuram de forma legal e ilegal, a emigração como fuga à guerra colonial.

Em 1968 as perseguições politicas entendem-se à igreja, onde o próprio Cardeal Cerejeira denuncia o padre Feliciano Alves ao chefe de governo, como um dos padres autor de homilias contra natura e que, como tal seriam escândalo público. A igreja de São Domingos, é palco de uma condenação da guerra colonial, por cerca de 200 católicos

As deportações e as prisões politicas, continuam cada vez mais intensas.

Em 1969 é encerrada a Universidade de Lisboa, que se encontrava em greve, são incorporados compulsivamente nas Forças Armadas, 49 estudantes que, se destacaram nas manifestações académicas de Coimbra.

O Comité de Descolonização da ONU, condena a permanência de Portugal nas colónias.

O ministro do Interior, Gonçalves Rapazote, alerta que as eleições de Outubro terão as seguintes regras, “apenas será permitida uma escolha de indivíduos e não qualquer confrontação ou discussão de políticas”.

A oposição aproveita este espaço para reclamar a autodeterminação das colónias, no decorrer do período de campanha eleitoral para a Assembleia Nacional.

Devido a rumores sobre um golpe de Estado, Marcelo Caetano refugia-se de no Posto de Comando da Força Aérea em Monsanto.

Em véspera de eleições, Marcelo Caetano chama à atenção que com os seus votos os portugueses, “decidirão a paz ou chamarão a guerra civil a mais curto ou a mais longo prazo” (o sistema de votação era por convite e seleccionado quem tinha direito ao voto, havia neste caso Portugueses de primeira (os que votavam) e Portugueses de segunda (os que não votavam aqui incluíam-se também as Mulheres)

Nestas eleições para a Assembleia Nacional, a campanha da CDE, apela à negociação com os movimentos de libertação e a CEUD, fazia um apelo do não à guerra e não ao abandono.

Assim que terminaram as eleições o Ministério do Interior, declarou terminadas todas as actividades da oposição e como ética do regime, a PIDE e a Legião Portuguesa, passava à acção, no entanto para contornar esta deliberação, a oposição em encontro Nacional cria o

Movimento de Oposição Democrática (MOD), para aproveitar todas as possibilidades legais de participação activa na vida politica Portuguesa. Surge nesta altura a EDE – Esquerda Democrática Estudantil, que mais tarde daria origem ao MRPP

Em 1970 a repressão continua a expandir-se e dá-se uma vaga de prisões, que vai desde estudantes africanos nas Universidades Portuguesas, a defensores da Liberdade de expressão como Salgado Zenha, ou membros da igreja como o padre Felicidade Alves, tendo algumas centenas de cristãos de Lisboa sido presos, por se expressarem contra a guerra, as manifestações agudizam-se, com protestos contra as guerras coloniais portuguesas e do Vietname, chegando o ministro da defesa a acusar os estabelecimentos de ensino de Lisboa, de constituírem centros de subversão.

Numa tentativa de lavagem de cara do Estado Novo, a União Nacional muda a sua designação para, Acção Nacional Popular.

 

Em 1971 começam a aquecer os ânimos, pois entram em acção as Brigadas revolucionárias ( BR ) e da Acção Revolucionaria Armada ( ARA ) “braço armado do PCP, criado em 1964 mas que só entrou em actividade, na década de 70 “.  Tinham como alvos instalações militares da NATO e do Governo Português

Em 1972 os atentados continuam, o Governo liberta 1500 prisioneiros internados em campos de concentração nas colónias.

São reconhecidos pelo Comité de Descolonização da ONU, os movimentos nacionalistas como legítimos representantes de Angola, Guiné e Moçambique e reclama a imediata transferência de poderes

A Assembleia-Geral da ONU, numa resolução, afirma que o PAIGC é o único representante legítimo do povo da Guiné e de Cabo Verde, depois de condenar a política colonial portuguesa, aprova uma recomendação de admissão da Guiné-Bissau.

O Conselho de Segurança da ONU aprova, por unanimidade, uma resolução pedindo a Portugal que inicie conversações com “interlocutores válidos”, para uma solução das guerras.

Um grupo de católicos ocupa a Capela do Rato, em Lisboa, para comemorar o Dia Mundial da Paz, aprovando uma moção contra a continuação da guerra. A polícia invade a igreja e prende cerca de 70 pessoas.

 CONTINUA...

 

textos adaptados e imagens de portugalcen, guerracolonial, jornalismo portonet, Vidas Lusofonas , História aberta, Presidência da Republica, SIS, Tuwalkin )

publicado por . às 23:59

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